Blog de Lanceiro


23/06/2008




Inspiração II

Esperas ansiosa,
lugares, estradas,
o céu do teu mar.
Tuas vagas espessas,
de luas, de sonhos,
no azul das estrelas,
me queres por lá?

Vislumbro teu mundo,
distante estou eu,
de sonhos, de medos,
de avessos desejos,
dormir no teu colo,
imagino teu rosto
colado no meu.

Caminhos estreitos,
perfeitos eu sei,
olhar de serpente,
paixão e luxúria
tua boca bem quente,
nas nuvens, vermelha,
em busca de mim.

Te dou de presente
meu gozo guardado,
sonhando e cantando
o amor proibido,
o beijo sonhado,
o olhar escondido
unindo-se ao meu.

Saudosas auroras
de flores, quimeras
de amor primavera,
no outono, quem dera,
sensível e latente,
me clamas contente
pra dentro de ti.

Escrito por alanceiro às 17h00
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20/06/2008




Pânico

Toma água, senta-se, fuma.
Levanta-se, fuma novamente.
Anda, pensa, apaga luzes.
Olha tudo, janelas, portas.
Vai ao banheiro, urina.
Demora-se, lava o rosto,
Retarda, vacila, eternidade.

Ela espera lúcida, fria,
úmida, sensual, quente,
a pele reclama, aflora,
coxa-coxa, seios, aperta-se,
vira-se, sufoca o gozo,
respira, palpita, suspira,
Ouve passos, acelera,
aguarda, finge.

Afinal, deita-se.
Sua gelado,
lhe ronda o fracasso,
implacável derrota.
Ela insinua-se, provoca
mansinho, coração galopa.

Súbito espasmo incontrolado,
inoportuno, fora de hora,
furioso, molhado, nervoso.
Ela percebe, no cio, afasta-se.
Encolhe-se, envergonhado,
e aos soluços, chora.

Escrito por alanceiro às 14h44
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18/06/2008




Seiva

Chispa ágil e veloz,
corres pelo meu corpo e
dominas secretos espaços,
rubro escravo, acorrentado.

No ir e vir, estreitas passagens,
andaste por discretos caminhos,
meus nervos, meus remansos,
os mais escondidos recantos.

Navegas pelos meus labirintos,
descobres esconderijos, atalhos,
me tomas no melhor espasmo,
mais vivo, contigo, em mim.

Às vezes, sem que eu peça,
me invades inteiro, pulsas;
outras, me abrandas espaços
e aquietas meu peito.

Amigo de tantas jornadas,
aliados num resto de gente,
um dia, seguiremos inertes,
unidos sem luz, para sempre.

Escrito por alanceiro às 16h53
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11/06/2008




Espelho

Eu e eu mesmo, só,
comigo e mais ninguém,
sombra de mim, reflexo
de um corpo cansado
que se olha no espelho,
solidão do meu mundo,
escuro do meu ser.

Eu e eu mesmo, imerso
na angústia que me assola,
nas perguntas que me faço,
sem eco e sem respostas,
para as minhas ansiedades,
meras aflições de macho
comum e medíocre,
implorando atenção e afeto.

Eu e meus não contados defeitos,
inumeráveis, não declaráveis,
desconhecidos sombrios,
escuros, escusos,
e minhas raras virtudes.

Eu e meus amores perdidos,
que me inspiram no frio
teclado da vida,
que me excitam e me
intumescem os nervos,
rotina implacável e segura.

Eu e minhas vividas paixões,
imaginárias, inacabadas,
gélidas no desejo forçado,
no gozo sem graça,
que desfalece e se esvai
nas lembranças de uma
vida que não foi.

Escrito por alanceiro às 11h15
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05/06/2008




Minh'Alma
Pelo menos duas postagens,
as próximas, para mostrar
um lado mais sombrio
da minha alma inquieta,
ansiosa, que tanto me intriga
e me faz assim tão atraído
para as demais ao meu lado,
também em busca de emoções,
sem as quais nada seriam.

Ela usa meu corpo, indiferente
aos meus fatigados reclamos,
cheia de ternura pelo próximo,
explodindo nos cinco sentidos,
isso você já deve ter notado.
E reclama quando percebe que,
em carne e osso, não a acompanho,
frágil matéria não mais de menino,
embora ela não aceite esta
dura constatação.

Ele, o meu corpo, mesmo não lhe
suportando o pique, segue-a,
obediente, corre atrás dela,
cativo da sua vibração nervosa,
sem muita escolha, sem escolha,
arrebatado por ela,
dominado e submisso.

Escrito por alanceiro às 11h30
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29/05/2008




Anônima

Ah! misteriosa sem nome,
é tanta a fome de te conhecer,
que já te vejo nos meus sonhos,
nos meus devaneios e nas
indagações que me corroem
diante de ti, querida anônima.

Por que invades assim o
meu canto, amada intrusa?
Por que me negas teu espaço?
Tua áurea, tua ilha de amor,
teu jeito, tua imagem sem rosto,
tua quente e intocada flor?

Aqui, também és minha musa.
Me dei esse direito,
ainda que não me ofereças
a chance de compartilhar
tua doce e curiosa intimidade
e assim enxergar o teu perfil insano.

Quem és tu? Eu me pergunto,
e, implorando um sinal, tanto,
imediato te digo, vem pra mim!
E me desnuda a tua excitante timidez,
a tua obscura sensualidade,
ou o teu caro recato,
um dia, quem sabe...

Escrito por alanceiro às 16h10
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21/05/2008




Inspiração

Indefinível e misterioso olhar,
tranqüilo, firme, observador.
Vezes crítico, ameaçador,
espelho da alma.

Largo sorriso enfeitando
os lábios lindos, insinuantes.
Voz cálida, mais feminina não vi!
Cabelos castanhos presos,
adorno discreto, sutil.

Num corpo de pele morena,
na medida pra lá de certa,
um jeito de mulher-menina
vibrante, prometendo mais,
sempre, não sei quanto,
só aconchego, talvez,
mas me faz sonhar.

As atitudes nascem no espírito,
pertinho, encostadas no coração,
que, aliás, manda em todo resto,
pensamento e gestos, ações.

Leveza nos movimentos, sensível,
mostrando carência de afeto,
do toque mais ousado,
do beijo mais ardente,
do desejo bem guardado.

Escrito por alanceiro às 08h06
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13/05/2008


Gente II
(continuação)

Os impossíveis sonhos.
A madrasta rotina
Do trabalho maneiro.
As frágeis medidas
Das distrações
Cada vez mais corridas.

Os risos e lábios brejeiros.
As línguas curiosas, os beijos ardentes.
As plenas carícias, do gozo a doçura.
O corpo molhado, o jeito impaciente.
As mãos carinhosas, sinceras.
O amor do passado, o olhar inocente.

Da infância as curiosidades, os medos.
As incertezas, os incontáveis segredos.
A alegria da vista, a fuga do escuro.
As distintas origens, os cruéis preconceitos.


O andar inseguro, indeciso, incerto.
Os equivocados gostos, discutidos...
As vidas iguais, tão diferentes.
A mocidade passada.
Os filhos perdidos.

Escrito por alanceiro às 10h49
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09/05/2008




Gente

Amigos estranhos, primeiros.
Pessoas sinceras, eu penso.
Contato incompleto, ligeiro.
Corpo e coração, anseio.

De almas sensíveis, desejo.
De sublimes carinhos, procuro.
De vícios normais, espero.
De vidas sofridas, partilho.

De felicidades plenas, sonhadas.
De paixões intensas, verdadeiras.
De corações aflitos, carentes.
De ouvidos loucos, exagero.

De romances desfeitos.
De rápidos amores, proibidos.
De choradas, sofridas tristezas.
De amargas e doídas saudades.

Escrito por alanceiro às 08h41
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07/05/2008


Para você, Vilminha,
infelizmente, não consegui acessar
a sua foto no blogspot. Aqui onde eu
acesso, há um programa que impede muita
coisa, inclusive abrir fotos, colocar
comentário no blogspot, etc.
Beijo
Lanceiro

Escrito por alanceiro às 14h11
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30/04/2008




Taurina

Enganas-me assim tão calma,
sem afeto, pura aparência.
Provocada, te verei outra,
agressiva, na defesa
de teus justos princípios,
a autoconfiança em ti é inata.

Brinda-me com a tua elegância;
para ti, será pura rotina.
Revela-me teu eu feminino, mãos dadas
com a delicadeza que me escondes.
Presta mais atenção às flores!
Um bom começo, você as adora.

Acredita mais no que você não vê!
O intangível será teu esteio
num momento difícil,
não a tua lógica tão prática.

Arrisque-se mais, usa teu instinto,
teus seis aguçados sentidos.
Viaja mais, tenha mais ilusões,
tira os pés do chão, sonha.
Afinal, de que vive o se humano
senão dos sonhos que cultiva.

Escrito por alanceiro às 11h02
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24/04/2008




Virtual II

De novo te busco, te quero, te chamo.
De novo te perco, num instante te esqueço.
Procuro nos rostos, nos olhos, semblantes,
no comp, com o mouse, no blog, no site,
nervoso, excitado, ansioso,
meus dedos e mãos delirantes.

De novo te busco, te quero, te chamo.
Nas fotos, estás entre os outros:
amigos, parentes, senhoras, senhores,
antigos e novos, meninos, meninas,
teu nome reclamo; sozinho imagino
meu sonho maluco e cretino.

De novo te busco, te quero, te chamo,
nas fisionomias vãs, alegres ou tristes,
chorando, sorrindo, assim de mansinho,
imagem sem rosto, imagem da imagem.
Meu coração aflito, de novo em conflito
à procura de ti.

De novo te busco, te quero, te chamo.
Onde é que tu estás e te escondes?
Debaixo do meu teclado,
atrás da tela que me nega a ti,
e de novo te perco, emaranhado
nos chips e fios da memória desta
máquina que na verdade sou eu,
solitário e infeliz.

Escrito por alanceiro às 14h58
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22/04/2008


Paula querida,
como sabes, não consigo comentar
o que escreves, por razões de segurança.
Deixa-me sentir orgulhoso e honrado
(no bom sentido) pelo que dizes, pela
inspiração que você disse
ter com as minhas palavras.
Fico honrado e muito feliz.
Enfrento conflitos com pessoas racionais,
que não conseguem enxergar que, em se tratando
de relações humanas, as coisas não funcionam
como eles (os racionais) querem.
Como professor de uma ciência humana, não consigo
colocar na cabeça das pessoas que a nossa mente não tem
fronteira e jamais poderá ser desvendada, analisada,
esmiuçada, descoberta, enfim sempre haverá surpresas
a serem vividas, e cabe a nós aceitar isso e amar, amar,
sim, cada vez mais, não nos preocupando em definições
e conceitos que só nos afastarão das pessoas.
Beijo
Lanceiro

Escrito por alanceiro às 11h26
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16/04/2008


Para você, Paula,
cada vez que leio o que você
escreve, me identifico muito
com o tipo de pensamento que
você tem. Fantástico e simples.
Imagino como há pessoas que não
conseguem ver isso. Pessoas que
querem rotular tudo, sistematizar
o que tem que ser só sentido,
pessoas que são incapazes de,
simplesmente,
sentir o que não podem ver e
amar o que não podem tocar.
Vocês duas (a Chuvinha) são
duas delícias.
Beijo e parabéns!

Escrito por alanceiro às 09h08
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04/04/2008


Para você, minha nova amiga
Paula. Obrigado pela visita e
pelo incentivo. Parabéns pela poesia
que tive o prazer de ler na tua página. Bastante sensual, como deves ser também...
Não pude acrescentar o comentário que queria
por razões de segurança de onde acesso.
Deixo aqui o meu abraço e, abaixo, uma homenagem
às escorpianas como você e a uma amiga muito especial
que tenho bem junto a mim, no trabalho, todos os dias.
Beijo
Lanceiro

Escrito por alanceiro às 09h15
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BRASIL, Sudeste, CAMPINAS, JARDIM CHAPADAO, Homem, de 56 a 65 anos, Portuguese, Spanish, Livros, Bebidas e vinhos, vinhos e bebidas

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